quinta-feira, julho 31, 2008

Sintra Árabe



Boas tardes amigos(as), como devem de saber (ou não), eu sou do concelho de Sintra, vivo nessa zona desde que nasci e tenho uma ligação muito forte a Sintra.


Sintra é um concelho, enorme, cheio de contrastes e infelizmente com muitos problemas sociais e urbanísticos, mas que em compensação é um concelho cheio de história, tradição e lendas, carregado de misticismo e mistério.


Uma das maiores influências históricas em Sintra é a Árabe.


Os Árabes, ocuparam a Península Ibérica em 711 D. C. e ocupam Sintra em 713 D.C., sendo expulsos em 1147 D. C., quando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques com a ajuda dos Cruzados.


É natural que 434 anos de ocupação, deixam um legado e influência muito grande na história de Sintra.


É sobre um desses aspectos do legado Árabe que vou falar, a Toponímia!



Os linguistas consideram existirem três classe de topónimos árabes que de diferentes modos entraram na Língua Portuguesa. Assim, para Sintra temos:


Topónimos de origem árabe (aqueles que possuem raiz árabe e que permaneceram com pequenas alterações desse radical):


Albarraque (Albarrak = "o brilhante" ou, para outros autores al-barraque, plural de al-barca = "solo duro");
Alcainça (al-kaniça = "a igreja");
Alcoruim ou Alcorvim (al-cairuáne = "o caimão");
Alfaquiques (alfaqueques, cargo muçulmano que designava o indivíduo que resgatava prisioneiros );
Alfouvar ( al-fauwara = "o bolhão");
Algueirão (al-guerame = "a gruta");
Almargem ( al-marge = "o prado");
Arrabalde (arabáde = "os subúrbios" );
Assafora (assahra = "Campina")
Azenha (aççania, isto é, "a nora");
Azoia (az-zavia = "o mosteiro");
Cacém (cacéme = "o que divide" );
Moçaravia (muçtarabe = "aquele que se tornou árabe");
Queluz ( qá-luz = "vale da amendoeira");
Mucifal ( maçfal = "o lugar que está em baixo");
Massamá (maçama = "o que está alto");
Meleças ( meliça = "o vazio");
Almoçageme (al-mesjide = "a mesquita")


Topónimos híbridos (resultantes da associação de dois topónimos, um árabe e um latino):
Alcolombal (da junção do artigo árabe "al" com a palavra latina "columbare", que significa pombal),
Alcobela ( do árabe "al- quibba" mais o sufixo "ela" ),
Almoster (o artigo "al" mais o termo latino " monasterium", que significa mosteiro).


Topónimos arábicos modernos (de raiz desconhecida, mas facilmente identificáveis com a etimologia árabe): Abonemar, Aljabafaria, Almornos, Almosquer, Alparrel, Alpoletim, Alvegas, Asfamil, Bogalho, Calaferrim, (o mesmo que Canaferrim, que daria mais tarde Penaferrim - S. Pedro de Penaferrim), Galamares, Mafarros (ou Nafarros), Magoito, Meleças, etc.


Deixo também uma pequena descrição de Sintra feita por um autor Árabe da época.


"(Sintra é) uma das vilas que dependem de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar. Está permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa. O seu clima é são e os habitantes vivem logo tempo. Tem dois castelos que são de extrema solidez. A vila está a cerca de uma milha do mar. Há aí um curso de água que se lança no mar e serve para a rega das hortas. A região de Sintra é uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes. Esses frutos atingiam tal espessura, que alguns chegam a ter quatro palmos de circunferência. Acontece o mesmo com as peras. Na serra de Sintra crescem violetas selvagens. Da costa vizinha extrai-se âmbar excelente."


Ibne Abde Al – Mumine Al – Himiari

terça-feira, julho 29, 2008

O Quinto Império

Porque hoje me sinto muito metafísico e místico, aqui fica uma pérola da nossa literatura nessa área.

"O Quinto Império"

"Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade,
Europa - os quatro se vão
Para onde vai toda a idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião? "

Fernando Pessoa in "Mensagem"

segunda-feira, julho 28, 2008

Emos e Góticos proibidos na Rússia!!!... Anda tudo doido!!!

Boas tardes amigos(as), andava eu aqui nas minhas deambulações pela net, quando no site da NME, uma revista sobre música, descubro esta notícia!!!!
Muito resumidamente, esta notícia diz que o governo Russo quer proibir e controlar as bandas EMO e Góticas, os sites relativos a estas tendências e a utilização de vestuário EMO e Gótico nas escolas e edifícios públicos.
O governo Russo, diz que os adolescentes que aderem a estes estilos/tribos/ondas, são tendencialmente depressivos e suicídas!!!
Mas o que é isto????
Será que os legisladores Russos viram ou ouviram os legisladores Portugueses quando quiseram proibir os piercings??
Há milhares de pessoas em todo o mundo que aderem a estes estilos, identificam-se com a temática, com o visual, com a ambiencia, tal como outros adolescentes se identificam com o Hip-Hop, com o Reggae, com o Hard-Rock, ou como eu quando adolescente com o Grunge.
Além disso, há milhares de adolescentes com depressões e que se suicidam pelo mundo fora e não são todos EMOS ou Góticos, alias quase nenhuns, são todos adolescentes, ditos normais.
Uma pessoa é livre de ouvir a música que quer, vestir-se de preto ou amarelo, os governos e os legisladores não têm direito nenhum de controlar isso, são liberdades básicas de todos nós!
Sr. Putin deixe-se de maluquices e preocupe-se em tornar a Rússia num país verdadeiramente democrático e não uma fachada.
Coincidencia, foi que, quando descobri este artigo estava a passar um clip dos My Chemical Romance, que são a banda mais representativa do estilo Emo, por isso aqui fica um clip deles.
fiquem bem
Pipas


domingo, julho 27, 2008

O Grito da Gaivota

Meus amigos, este post, tem duas funções, a primeira é falar-vos de um livro que li, como habitualmente faço e a outra é prestar a minha homenagem à minha amiga Arco íris Negro, porque foi ela que me “obrigou” a ler esse livro e que depois de o ter lido fiquei finalmente a perceber e a entender o maravilhoso trabalho que ela tem, e o bem que faz a tanta gente por ter optado dedicar-se de corpo e alma a isso.
A ela o meu obrigado, por me fazer ver que as pessoas surdas são pessoas como nós, que são capazes de comunicar, falar, entenderem-se e serem entendidos por todos, tal como nós, graças à língua gestual, língua essa em que ela é profissional, sendo um elo de ligação entre as pessoas ouvintes e as pessoas surdas.
O livro em questão, chama-se “O Grito da gaivota” e é o testemunho na 1ª pessoa de Emmanuelle Laborit, surda profunda de nascença que se tornou numa actriz de sucesso em França.
Emmanuelle, cuja surdez só foi detectada aos 9 meses de idade, foi “obrigada” a seguir os métodos tradicionais de ensino e comunicação para os surdos, aprender a vocalizar e a ler lábios, até que um dia por casualidade os pais descobrem a língua gestual.
A partir daí, a sua vida muda radicalmente, ela sente-se presa por ser obrigada a seguir um tipo de comunicação restritivo, com o qual não consegue comunicar com os outros, visto que a língua gestual francesa era proibida nessa altura e com a indiferença da parte dos “ouvintes” que querem que os surdos, (as únicas pessoas com uma diferença que não é visível), sejam como eles e não aceitem a diferença.
Ela com essa revolta, tem uma adolescência conturbada e problemática, mas consegue dar a volta, ser uma activista dos direitos dos surdos e do reconhecimento da língua gestual.
Devido a essa luta e atitude, consegue seguir o seu sonho de infância, o teatro e tornar-se numa actriz de sucesso, recebendo inclusivé o prémio Moliére de revelação do ano, um dos mais importantes do teatro francês.
Como tinha dito no princípio do post, este livro abriu-me os horizontes, despertou-me para uma realidade que desconhecia, inclusivé houve partes no livro que de tão intensas que são, me trouxeram as lágrimas aos olhos.
Este é um livro que todos deviam de ler, não é muito grande, é bastante fácil de ler, não é tecnicista nem lamechas. É um relato verdadeiro e sentido, de uma jovem (escreveu o livro aos 22 anos), que tem uma perspectiva diferente do mundo.
Aqui fica a minha pequena homenagem às pessoas surdas e a todos os que os encaram como pessoas normais, com direito de escolha e de comunicação.
Deixo também um pequeno vídeo com uma entrevista que ela deu à televisão francesa, que contém um pequeno excerto de uma representação dela.
Fiquem bem
Pipas

P.S. Beijo grande Arco Íris e obrigado por me teres “obrigado” a ler “O grito da Gaivota”

"Ninguém fica para trás"

Boas amigos(as), hoje (sábado), finalmente após 35 anos, foram sepultados em Portugal três militares páraquedistas que perderam a vida na batalha de Guidage, na localidade com o mesmo nome na Guiné-Bissau durante a guerra colonial.
No dia 23 de Maio de 1973, os militares da companhia 121 de páraquedistas, José Lourenço, António Vitoriano e Manuel Peixoto, foram mortos nos confrontos com o PAIGC, sendo sepultados num cemitério improvisado na altura, e devido às vicissitudes da guerra foi impossível enviar os corpos para Portugal.
Passados 35 anos, graças aos esforço da Liga dos Combatentes e de Conceição Vitoriano, irmã de António Vitoriano, foi possível trazer de volta para Portugal os restos mortais dos três militares.
Hoje em Tancos, na Escola de Páraquedistas, os restos mortais dos três militares foram homenageados por actuais e ex páraquedistas, numa cerimónia carregada de emoção.
Após a cerimónia, os respectivos restos mortais foram encaminhados para as suas localidades de origem para aí serem sepultados.
Este acto, é de extrema importância, porque traz o tema da guerra colonial ao de cima, mais propriamente os Homens que lá combateram.
Todos nós sabemos que a guerra colonial, foi uma época negra da história recente de Portugal, que estávamos no lado dos “maus” e que foram cometidos muitos exageros e injustiças, de ambos os lados como (infelizmente) é normal numa guerra.
Apesar disso, deve-se respeitar e apoiar os Homens que lá combateram.
Homens esses, que deixaram as famílias a milhares de kilómetros de distancia, que foram combater, pegar em armas em países que lhes diziam que eram Portugal também, mas que só conheciam dos mapas das escolas, mataram e foram mortos, por um ideal que eram obrigados a respeitar e a obedecer e que depois do 25 de Abril, das indepêndencias dos países Africanos e da desmobilização, esse mesmo Portugal por quem lutaram, pouco ou nenhum apoio lhes deu, muitos deles feridos, mutilados física e psicológicamente têm sofrido na pele a indiferença e até mesmo a incompreensão por terem sido combatentes.
Para os páraquedistas, isto foi a concretização de um assunto pendente e da realização de uma das suas máximas enquanto soldados.
“NINGUÉM FICA PARA TRÁS”
Fiquem bem.
Pipas

quinta-feira, julho 24, 2008

A Tábua de Flandres

Olá amigos(as), anteriormente, fiz um post sobre um livro do Arturo Pérez-Reverte que é o “Clube Dumas” e no final do post, referi outro livro, que entretanto já tinha iniciado a leitura que se chama “A Tábua de Flandres”.
Este livro, vem na linha do “Clube Dumas”, uma história de mistério envolvendo um objecto histórico, neste caso um quadro, que se chama “A Partida de Xadrez” de um pintor Flamengo do séc. XVI, Peter Van Huys.
Tudo começa quando uma restauradora de nome Julia, descobre uma frase escondida no quadro, que coloca uma questão “Quem matou o cavaleiro?” e com isso dá-se inicio a uma sucessão de acontecimentos, que envolve a continuaçãodo jogo de xadrez cuja imagem é representada no quadro entre os protagonista da história e o “vilão misterioso” e a resolução de um crime ocorrido no sécXVI, apresentando um final delicioso.
De leitura fácil, este livro tal como os outro do Pérez-Reverte, é rigoroso tanto na parte histórica, como na parte técnica relativa ao mundo da arte, e mesmo em relação ao jogo e às regras do xadrez.
Comparativamente ao “Clube Dumas”, acho-o um pouco inferior, mas não lhe tiro o valor, um óptimo livro que nos faz passar um bom bocado.
Fiquem bem
Pipas


terça-feira, julho 22, 2008

"Pesadelo" - João Silva


Boa tarde, desde dia 17 deste mês que está patente a exposição de fotografia "Pesadelo", do fotojornalista Português João Silva na galeria do edifício do Diário de Notícias em Lisboa.
João Silva, é um fotojornalista nascido em Portugal, mas radicado na África do Sul, que ao longo dos anos, tem vindo a cobrir os diversos conflitos mundiais, as guerras do Iraque, Afeganistão, os problemas étnicos no Quénia, e principalmente as "desgraças" que afligem África.
Iniciou-se na fotografia aos 23 anos, integra os quadros do jornal Sul-Africano "The Star" e começa a ganhar notoriedade com a cobertura fotográfica diária da violenta luta entre partidários de Nelson Mandela e Buthelezi nos subúrbios de Joanesburgo logo após o fim do “apartheid”.
Actualmente João Silva é fotógrafo do "New York Times", jornal pelo qual fez a cobertura da guerra do Iraque, (que já lhe valeu uma menção honrosa do World Press News), e da agência de fotografias "PictureNET".
Para quem gosta de fotografia, e não só aqui fica esta sugestão, é uma forma de não nos esquecermos dos horrores que se passam por esse mundo fora.
A entrada é livre, por isso não há desculpa para não irem...
Deixo também a fotografia com a qual João Silva ganhou a menção honrosa da World Press Photo
Fiquem bem
Pipas


Joao Silva

Karadzic e a Justiça Internacional

Boas amigos(as), hoje acordei com a óptima notícia que o Radovan Karadzic, criminoso de guerra e antigo líder dos Sérvios Bósnios, tinha sido capturado pelas autoridades Sérvias.
Radovan Karadzic, foi responsável por inúmeros crimes de guerra e genocídio contra a população muçulmana da Bósnia-Herzegovina, entre 1992 a 1995, entre eles o massacre de Srebrenica em que morreram cerca de 8000 muçulmanos Bósnios.
Desde 1996 que Karadzic e Ratko Mladic, (ainda não capturado), o chefe dos militares Sérvios-Bósnios andavam em fuga e na clandestinidade ajudado por redes de Sérvios-Bósnios radicais, que infelizmente ainda existem.
Após a sua detenção, foi presente a um juíz de instrução Sérvio que já ouviu as suas primeiras declarações e espera-se a chegada de um procurador do Tribunal Internacional Penal de Haia, tribunal esse que o vai julgar pelos seus crimes contra a Humanidade.
Este foi um passo muito importante para a reconciliação Sérvia com a Europa e um dos requisitos para a sua entrada na União Europeia. Para além disso é igualmente um passo muito importante para a justiça internacional.
O que nos remete a outro tema!
Justiça Internaciona!
É claro que a prisão de Radovan Karadzic é importante, ele ordenou, incentivou e participou em crimes de guerras e genocídios, tem de ser responsabilizado e condenado por esses actos.
Mas e os outros?
Porque razão os Estados Unidos não reconhecem o Tribunal Penal Internacional?
Porque razão Robert Mugabe e outros líderes e déspotas Africanos e não só se passeiam impunemente em visitas de estado, a outros países, gastando rios de dinheiro e nada lhes fazem, enquanto o povo dos países deles morrem de fome?
Acho que não deve de haver dois pesos e duas medidas, a criação do Tribunal Penal Internacional foi uma coisa boa, agora há que pô-lo a funcionar, mas de maneira convincente e cega, tal como a justiça deve ser, não apenas para servir os interesses de alguns e manter uma fachada de povos civilizados e respeitadores dos Direitos Humanos.
Fiquem bem
Pipas