terça-feira, julho 15, 2008

"Demanda do Santo Graal"

Olá amigos(as), hoje vou deixar-vos aqui um pequeno extracto de uma preciosidade dos primórdios da nossa literatura, com a respectiva introdução.
Trata-se de um extracto do livro da Demanda do Santo Graal, romance de cavalaria que desde os tempos da Idade Média até aos dias de hoje, continua a fascinar e a alimentar a imaginação de todos nós, com as suas personagens lendárias, o Rei Artur; Lancelote; Guinevera, etc.
Este extracto e respectiva introdução foi retirada do site sobre literatura Portuguesa “Projecto Vercial”, que aconselho a todos, darem uma vista de olhos.
O texto, que por estar em Português antigo, e em conjunto com a estrututa do mesmo, própria da época, não é de fácil leitura., mas é sempre bonito de se ver como era a literatura, em especial a prosa do início da nossa cultura.
Espero que gostem ou achem interessante.
Fiquem bem
Pipas

“A Demanda do Santo Graal é a adaptação e a tradução das novelas francesas que tinham como tema as aventuras do Rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda. Entre esses cavaleiros, sobressaem Lançarote do Lago, Boors de Gaunes, Galvão, Perceval e Galaaz. Este último era filho de Lançarote e tinha por missão encontrar o Santo Graal, isto é, o vaso onde fora recolhido o sangue de Cristo na cruz e que estava escondido no castelo de Corbenic, na Britânia. O manuscrito português encontra-se na Biblioteca Nacional de Viena (catalogado com o número 2594) e contém várias redacções feitas entre os séculos XIII e XV. É considerado o mais fiel e o mais completo de todos os que contêm as novelas do chamado Ciclo Bretão.
Edições da obra: Augusto Magne, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1944; Augusto Magne, Rio de Janeiro, 1955-1970, 2 vols.; Joseph Maria Piel, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988; Irene Freire Nunes, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1995.”


DEMANDA DO SANTO GRAAL
(extracto)
Véspera de Pinticoste foi grande gente assüada em Camaalot, assi que podera homem i veer mui gram gente, muitos cavaleiros e muitas donas mui bem guisadas. El-rei, que era ende mui ledo, honrou-os muito e feze-os mui bem servir; e toda rem que entendeo per que aquela corte seeria mais viçosa e mais leda, todo o fez fazer.
Aquel dia que vos eu digo, direitamente quando queriam poer as mesas – esto era ora de noa – aveeo que üa donzela chegou i, mui fremosa e mui bem vestida. E entrou no paaço a pee, como mandadeira. Ela começou a catar de üa parte e da outra, pelo paaço; e perguntavam-na que demandava.
– Eu demando – disse ela – por Dom Lançarot do Lago. É aqui?
– Si, donzela – disse üu cavaleiro. Veede-lo: stá aaquela freesta, falando com Dom Gualvam.
Ela foi logo pera el e salvô-o. Ele, tanto que a vio, recebeo-a mui bem e abraçou-a, ca aquela era üa das donzelas que moravam na Insoa da Lediça, que a filha Amida del-rei Peles amava mais que donzela da sua companha i.
– Ai, donzela! – disse Lançalot –que ventura vos adusse aqui, que bem sei que sem razom nom veestes vós?
– Senhor, verdade é; mais rogo-vos, se vos aprouguer, que vaades comigo aaquela foresta de Camaalot; e sabede que manhãa, ora de comer, seeredes aqui.
– Certas, donzela – disse el – muito me praz; ca teúdo e soom de vos fazer serviço em tôdalas cousas que eu poder.
Entam pedio suas armas. E quando el-rei vio que se fazia armar a tam gram coita, foi a el com a raïa e disse-lhe:
– Como leixar-nos queredes a atal festa, u cavaleiros de todo o mundo veem aa corte, e mui mais ainda por vos veerem ca por al – deles por vos veerem e deles por averem vossa companha?
– Senhor, – disse el – nom vou senam a esta foresta com esta donzela que me rogou; mais cras, ora de terça, seerei aqui.
Entom se saío Lançarot do Lago e sobio em seu cavalo, e a donzela em seu palafrem; e forom com a donzela dous cavaleiros e duas donzelas. E quando ela tornou a eles, disse-lhes:
– Sabede que adubei o por que viim: Dom Lançarot do Lago se irá comnosco.
Entam se filharom andar e entrarom na foresta; e nom andarom muito per ela que chegarom a casa do ermitam que soía a falar com Gualaz. E quando el vio Lançarot ir é a donzela, logo soube que ia pera fazer Gualaaz cavaleiro, e leixou sua irmida por ir ao mosteiro das donas, ca nom queria que se fosse Gualaaz ante que o el visse, ca bem sabia que, pois se el partia dali, que nom tornaria i, ca lhe convenria e, tanto que fosse cavaleiro, entrar aas venturas do reino de Logres. E por esto lhe semelhava que o avia perdudo e que o nom veeria a meude, e temia, ca avia em ele mui grande sabor, porque era santa cousa e santa creatura.
Quando eles cheguarom aa abadia, levarom Lançarot pera üa camara, e desarmarom-no. E vëo a ele a abadessa com quatro donas, e adusse consigo Gualaaz: tam fremosa cousa era, que maravilha era; e andava tam bem vesådo, que nom podia milhor. E a abadessa chorava muito com prazer. Tanto que vio Lançarot, disse-lhe:
– Senhor, por Deos, fazede vós nosso novel cavaleiro, ca nom queriamos que seja cavaleiro por mão doutro; ca milhor cavaleiro ca vós nom no pode fazer cavaleiro; ca bem crcemos que ainda seja tam bõo que vos acharedes ende bem, e que será vossa honra de o fazerdes; e se vos el ende nom rogasse, vó-lo devíades de fazer, ca bem sabedes que é vosso filho.
– Gualaaz – disse Lançalot – queredes vós seer cavaleiro?
El respondeo baldosamente:
– Senhor, se prouvesse a vós, bem no queria seer, ca nom há cousa no mundo que tanto deseje como honra de cavalaria, e seer da vossa mão, ca doutra nom. no: queria seer, que tanto vos auço louvar e preçar de cavalaria, que nenhüu, a meu cuidar, nom podia seer covardo nem mao que vós fezéssedes cavaleiro. E esto é üa das cousas do mundo que me dá maior esperança de seer homem bõo e bõo cavaleiro.
– Filho Gualaaz – disse Lançalot – stranhamente vos fez Deos fremosa creatura. Par Deos, se vós nom cuidades seer bõo homem ou bõo cavaleiro, assi Deos me conselhe, sobejo seria gram dapno e gram malaventura de nom seerdes bõo cavaleiro, ca sobejo sedes fremoso.
E ele disse:
– Se me Deos fez assi fremoso, dar-mi-á bondade, se lhe prouver; ca, em outra guisa, valeria pouco. E ele querrá que serei bõo e cousa que semelhe minha linhagem e aaqueles onde eu venho; e metuda ei minha sperança em Nosso Senhor. E por esto vos rogo que me façades cavaleiro.
E Lançalot respondeo:
– Filho, pois vos praz, eu vos farei cavaleiro. E Nosso Senhor, assi como a el aprouver e o poderá fazer, vos faça tam bõo cavaleiro como sodes fremoso.
E o irmitam respondeo a esto:
– Dom Lançalot, nom ajades dulda de Galaaz, ca eu vos digo que de bondade de cavalaria os milhores cavaleiros do mundo passará.
E Lançalot respondeo:
– Deos o faça assi como eu queria.
Entam começarom todos a chorar com prazer quantos no lugar stavam.

Demanda do Santo Graal, fl. I, ed. de Augusto Magne, 1955-1970.





segunda-feira, julho 14, 2008

Sweet About Me

Gosto muito da voz desta rapariga, Gabriella Cilmi, com esta música Sweet About Me.

Fiquem bem!

Pipas

quinta-feira, julho 10, 2008

Royal Navy Field Gun Competition




Boas, amigos(as), venho mostrar-vos uma competição realizada na Inglaterra, que já acabou a nível oficial, que era o Royal Navy Field Gun Competition.

Esta competição, como devem de se ter apercebido devido ao título, é uma competição realizada pela Marinha de Guerra Inglesa e recria um acontecimento protagonizado pela "Royal Navy" no início do séc XX, na África do Sul durante a guerra dos Boers, em que as forças do exército Inglês, em menor número, ficam cercadas pelas forças Boers na cidade de LadySmith e é enviada uma força expedicionária de marinheiros com os respectivos canhões das suas fragatas que se encontravam ao largo da Cidade do Cabo, por terra, atravessando milhares de kilómetros a pé, ultrapassando toda a espécie de obstáculos e dificuldades, acabando por conseguir libertar do cerco a cidade de LadySmith.

A "Royal Navy" pegou nesse acontecimento histórico e criou esta competição que opõem várias unidades da mesma, recriando essa viagem e as formas engenhosas que os marinheiros usaram para ultrapassar esses obstáculos.

Infelizmente a última competição oficial, foi esta que vem no filme no ano de 1999, devido a contenção de despesas nas forças armadas no Reino Unido.

Uns anos depois, na cidade de Portsmouth, ligada históricamente e sentimentalmente à "Royal Navy", surgiram uns grupos de civis e antigos marinheiros que recriaram o "Gun Field", para não deixarem "morrer" esta competição histórica, mantendo assim essa tradição viva.

Fiquem bem

Pipas

O Clube Dumas


Boas tardes amigos(as).
Andando eu numa fase tão profícua em leituras, devido à oportunidade e facilidade que me tem surgido na aquisição de livros e igualmente na disponibilidade de tempo que tenho tido ultimamente para os ler, resolvi então, seguir uma sugestão dada pelos meus amigos Arco-Íris Negro e Paracletus há uns tempos atrás, e que aliada também à leitura anterior de um bom livro do mesmo autor e aqui já descrito anteriormente neste blog, resolvi ler “O Clube Dumas”.
A temática deste livro, é uma intriga policial/mistério onde os actores principais são um livro medieval supostamente destruido pela Inquisição e uma parte manuscrita de “Os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas.
O enredo gira à volta de um “caçador” de livros antigos, que na sua demanda pelo livro medieval, e que juntamente com o manuscrito de Dumas, cria duas histórias que correm paralelas, mas que se cruzam uma com a outra, criando a confusão e os mal-entendidos na investigação e procura do referido livro.
Nesta história, pode-se encontrar um pouco de tudo, desde romance, mistério, suspense, história medieval e ocultismo. Encontra-se igualmente um paralelismo em certas personagens intervenientes, com as personagens de “Os Três Mosqueteiros” de Dumas, contribuindo com isso para a genialidade deste livro.
Posso dizer-vos para aguçar a curiosidade, que umas das personagens intervenientes é o proprio diabo, que nos aparece de uma forma nunca antes vista.
O autor deste livro é o espanhol Arturo Pérez – Reverte, que nos traz esta história maravilhosa, bastante original, que me deu um enorme prazer a ler.
Existe uma adaptação cinematográfica deste livro, pelo realizador Roman Polansky com o Johnny Depp no principal papel, que se chama “A Nona Porta” (título em português), alguns de vocês provavelmente já o viram, eu por acaso ainda não, mas li as críticas e elas são unânimes em dizer que o filme não chega aos calcanhares do livro. Mesmo assim, vou vê-lo quando tiver oportunidade para tirar as minhas próprias conclusões.
Deixo esta sugestão, se lerem o livro espero que gostem dele tal como eu gostei, entretanto já comecei a ler outro do género do mesmo autor, que se chama “A Tábua de Flandres”, parece ser igualmente interessante, depois irei fazer aqui um comentário do mesmo, quando o terminar de ler.
Fiquem bem.
Pipas

terça-feira, julho 08, 2008

A Vida!!!!!!


Porque será que tudo na vida é tão efémero?

Quando nós pensamos que tudo está bem, e temos a certeza da nossa felicidade e de quem nos rodeia, de quem amamos... Tudo de bom na vida, a felicidade completa...

De repente!!! De onde menos se espera, chega o caos!!!!

Somos atraiçoados!!!!

Tudo acaba... Tudo desaba sobre nós como um castelo de cartas, levado pelo vento...

Todas as certezas que tínhamos, desvanecem-se como a luminosidade num dia de nevoeiro intenso... O desespero de ver tudo terminado, tudo perdido, a vida a escorrer pelos dedos como areia fina, sem se conseguir agarrar de novo, prendê-la, não a deixar ir!!!

A sucessão de imagens na nossa cabeça, a recapitulação da nossa vida, as dúvidas?? O porquê???

O que fiz mal???

Onde errei??

Onde falhei???

E agora??

Recomeçar???

Sim!! Claro!!! Mas como???

Teremos forças para isso??

Temos de ter...

Mas custa, temos de ser fortes... Agarrar a vida pelos "cornos", e seguir em frente, apesar do desgosto e da mágoa, superar estas dificuldades, ao mesmo tempo dá outra alegria de viver, começar de novo e isso sim é a verdadeira essência da vida; a mudança; a adaptação; fazer novos amigos; esquecer antigos amigos; e principalmente nunca baixar os braços, não nos darmos como derrotados, a vida é linda demais para ser desperdiçada por causa de terceiros, principalmente se esses terceiros nos desiludem.

Desculpem este post tão fora do normal e tão intimista, mas enfim às vezes sabe bem deitar umas "palermices" cá para fora...

Abraços e Beijos a todos(as)

Pipas
P.S. Meu amigo A. estou sempre contigo e tu comigo...

segunda-feira, julho 07, 2008

The Blue Man Group

Boas amigos(as), hoje deixo-vos aqui com um grupo que se chama "The Blue Man Group".
Estes senhores têm uma forma nuito particular de fazer música e de a mostrar, um verdadeiro espectáculo musical e visual, espero que gostem.
Fiquem bem
Pipas





sexta-feira, julho 04, 2008

Festival de Teatro de Almada 2008

Boa noite amigos(as), inicia-se hoje dia 04 de Julho e até dia 18 do mesmo, a edição deste ano do Festival de Teatro de Almada.
Este festival, é uma iniciativa que traz diversos grupos de teatro nacionais e estrangeiros, a Almada e também a alguns teatros de Lisboa, a mostrarem o que de melhor se faz no ramo.
Este ano o cartaz é muito bom, trazendo grupos/companhias de teatro extraordinários e peças fabulosas.
Além do teatro propriamente dito, também há actividades paralelas, como exposições, concertos e colóquios.
Na sua 25ª edição, este festival, está de "pedra e cal", sendo mesmo caso único em Portugal no mundo do teatro.
Deixo esta sugestão, para uma noite bem passada, na companhia de amigos.
Fiquem bem.
Pipas

terça-feira, julho 01, 2008

Um Poema por dia


Conheço o Sal

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.

Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.

Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.

Conheço o sal que resta em minha mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
Jorge De Sena