terça-feira, julho 01, 2008

Um Poema por dia


Conheço o Sal

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.

Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.

Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.

Conheço o sal que resta em minha mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
Jorge De Sena

2 comentários:

arco-íris negro disse...

muito bonito, quase erótico sem ser emparvoado...quase melancólico sem ser depressivo...
este poema é um quase. mas completamente belo...
não conhecia, obrigada por teres partilhado*

Paracletus disse...

É um poema bastante intenso, com um erotismo subtil, que toca o âmago do leitor.